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Consciência Negra

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  20 de Novembro

  DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA  

 

 “Homens simples, fortes, bravos...

  Hoje míseros escravos, sem ar, sem luz, sem razão. ”

  (Castro Alves)

 

   Um povo, uma trajetória de sofrimento e de luta.

   A busca da tão sonhada liberdade!

   Da decantada igualdade!

 

   Os anais da história nos mostram os vários passos que foram dados neste sentido.

   Eram eles guerreiros,homens e mulheres, reis, príncipes, chefes de tribos e  de nações Africanas. Desde  sua caça por negreiros, em seu próprio território, aos porões fétidos dos tumbeiros onde eram jogados como fardos,  amontoados, para empreenderem a longa e angustiante viagem através do mar, rumo ao novo mundo! Onde a única certeza, eram a chibata e o açoite que  lanhavam e marcavam o corpo desse povo altaneiro. Seu destino? O mercado de escravos, onde eram negociados e depois, marcados a ferro por seus senhores,  tal o gado nas pastagens. Com um diferencial. Estes, eram melhor tratados no pasto do que os negros nas senzalas.

   Grilhões  alquebraram a imponência de uma raça!  Os longos anos de cativeiro causariam a aculturação...

   Mas, quando o negro anteviu sua liberdade, na verdade?

   O primeiro gosto de real liberdade veio através dos negros que, inconformados, fugidos do trabalho escravo dos engenhos de açúcar, em Pernambuco,  na Serra da Barriga,  encosta oriental, fundaram o Quilombo dos Palmares, em 1600. Tinham fugido de várias fazendas, engenhos, cidades e vilas, reunindo-se, agrupando-se derredor de chefes, fundando uma administração, um estado autônomo. Defendido pelos guerreiros que eram, e, nas horas de paz, plantadores de roça e criadores de gado. O Quilombo dos Palmares chegou a ter uma população de 30 mil negros. Viveram livres, sessenta e sete anos, os negros dos Palmares.

   No ano de 1655 em um dos mocambos ¹ de Palmares, nasce Zumbi, um  líder! Ainda criança é feito prisioneiro e entregue ao Padre Antonio Melo, que o cria e educa como a um filho, o que gera comentários  maldosos por parte daqueles que não entendem este tratamento dispensado a um negrinho. É batizado e recebe o nome de Francisco. Ajuda na missa e aprende o português e o latim, mas, foge e chega ao quilombo após uma caminhada de 132 km.  Com os  conhecimentos repassados pelo padre, Zumbi logo superou seus irmãos em inteligência e coragem. Aos 17 anos tornou-se general de  armas do quilombo, uma espécie de ministro de guerra nos dias de hoje. Em 1675 contra soldados Portugueses, mostra Zumbi ser um grande guerreiro e estrategista.

   Porém, Zumbi insurge-se contra o rei do quilombo, Ganga Zumba ², que aceita a proposta do governo.  Não aceita a submissão proposta pelo governador Pedro Almeida da capitania de Pernambuco, onde este alforriava todos os  quilombolas, acenando com a paz. Zumbi defende a liberdade  de todos os negros escravos, não somente dos quilombolas. Ganga Zumba é morto após fazer o pacto e Zumbi assume o comando.

   Zumbi comanda a resistência em Palmares até o ano de 1694 quando com artilharia pesada, os bandeirantes, Domingos Jorge Velho  e Vieira de Mello atacam o  principal mocambo dos Palmares. Finalmente conseguem, numa total carnificina, derrubar a cerca das  macacas ³ do Palmares. Mas não capturam Zumbi que, mesmo ferido consegue fugir e se refugia em Pernambuco, na Serra de Dois  Irmãos. Em 1695, delatado por um companheiro, Zumbi é preso e torturado. É degolado no dia 20 de novembro.

   Jorge Velho matou o rei Zumbi e o decapitou, levando sua cabeça até a praça do Carmo, na cidade de Recife, onde ficou exposta por  anos seguidos até sua completa decomposição.

   Zumbi dos Palmares é o maior ícone da resistência negra ao escravismo e de sua luta por liberdade. Os anos foram passando, mas o  sonho de Zumbi permanece e sua história é contada com orgulho. É a história do negro-rei que pregou e lutou pela  liberdade e pela  igualdade!

   Em 1978, o Movimento Negro Unificado institui o dia vinte de novembro como o Dia Nacional da Consciência Negra, em  homenagem a Zumbi, líder máximo do Quilombo dos Palmares  e símbolo da resistência negra!

 

   Luís Carlos Mordegane

    © 2007

 

    ¹ Mocambos – vilas que se formavam com a chegada de mais pessoas, inclusive brancos e índios.

    ² Ganga Zumba foi o primeiro rei do quilombo dos Palmares

    ³ O mocambo do macaco, localizado na Serra da Barriga, era a sede administrativa do povo quilombola.

 

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