02 /04 Dia Internacional do Livro Infantil
A literatura infantil surgiu no século XVII, no intuito de educar as crianças moralmente.
Em homenagem ao escritor dinamarquês Hans Christian Andersen, foi criado o dia internacional do livro infantil, que é comemorado na data de seu nascimento; em virtude das inúmeras histórias criadas por ele. Dentre as mais conhecidas mundialmente estão “O Patinho Feio”, “O Soldadinho de Chumbo”, “A Pequena Sereia” e “As Roupas Novas do Imperador”. A data é conhecida e comemorada mundialmente, em mais de sessenta países, como forma de incentivar e despertar nas crianças o gosto pela leitura.
Tanto os clássicos da literatura infantil quanto os livros somente ilustrados, proporcionaram o desenvolvimento do imaginário das crianças, bem como o aspecto cognitivo, desenvolvendo seu aprendizado em várias áreas da vida.
As histórias reportam valores morais e éticos, que levam o sujeito a repensar suas atitudes do cotidiano, numa reflexão que pode modificar sua ação, tornando-a melhor enquanto pessoa. Segundo Humberto Eco – escritor, filósofo e linguista italiano – a literatura infantil traz sentido aos fatos que acontecem na vida, envolvendo as crianças. Dessa forma, "qualquer passeio pelos mundos ficcionais tem a mesma função de um brinquedo infantil. As crianças brincam com a boneca, cavalinho de madeira ou pipa a fim de se familiarizar com as leis físicas do universo e com os atos que realizarão um dia".
Todos os anos a Internacional Board on Books for Young People, oferece o troféu “Hans Christian”, como sendo o prêmio Nobel desse gênero, algumas escritoras brasileiras já foram homenageadas, como Lygia Bojunga, no ano de 1982, e Ana Maria Machado, em 2000.
Por Jussara de Barros
Graduada em Pedagogia
Equipe Brasil Escola
Don Corujão e o Gato*
Não façam barulho, quero ver todos bem quietinhos, entenderam? Assim falou vovô Fredo.
- Ah! Vovô conta, vai!
- Prometemos ficar quietinhos, sem dar um único pio.
- Bem vou ver se os outros querem ouvir, se eles vierem conto o final, se eles não vierem conto uma daquelas do Dom Corujão pra vocês, está bem assim?
- Claro vovô! - respondemos.
Ele se levantou foi até a cozinha. Voltou de lá sozinho e falou baixinho:
- Eles não querem ouvir histórias hoje não. Estão conversando lá na cozinha. Vamos deixar eles conversando lá, enquanto conto para vocês uma história que o Dom Corujão me contou.
- Ele contou pro senhor, vovô? - perguntei com um olhar desconfiado.
- Claro, Carlinhos! Ele fala comigo todas as noites, vocês não ouvem ele piar lánotoco oco?
-Pois então!Estámecontandoasnovidades da noite passada quando foi passearnosquintais vizinhos. Nasemana passada,elemecontou uma passagem...
- Eraquase meia noite,quando ele resolveu sair para dar umas voltas pela vizinhança.Comoanoite estava muito bonita,comalua cheia refletindo seus raios sobrea terra,deixando quase comose fossedia, detão clara que estava...
-Como ontem à noite,vovô? -interrompeu Carlinha.
-Isso mesmo,Carlinha.
-Então,continuando...Ele saiuavoar por aí,nem notou que estavasedistanciando muito da sua casa,o velho toco oco.
Naquele momento,vovô páraahistória,levantaevai encaminhando-se paraacozinha,sem fazer barulho,fica paradoumtempãonaporta,para enfim entrar,demorarumpoucoevoltar comumcopodecafé nas mãos.Voltoua sesentar comagenteefoi tomandodepequenos goles aquele café,bem lentamente,com ar pensativo,aí balançouacabeça comose fossepara afastar pensamentosruins,tomoude umsó gole o restodocafédocopoerecomeçouahistória.
- Como eu estava falando... O Dom Corujão se perdeu!... Não, ele não se perdeu... Vamos dizer que se afastou demais do quintal, isso seria o correto, e foi parar perto do mangueirão da chácara do Zezinho.
- Aquela na saída da cidade... Sabem qual chácara estou falando?
- Sabemos sim... - respondi por todos.
- Pois bem! Ele pousou no mourão mais alto, perto do coberto, onde estão os cochos. Ali é o melhor lugar para se pegar ratazanas, comida que o Dom Corujão gosta muito. E lá estava ele com aqueles olhos enormes que ele tem, brilhando com o clarão da lua, na espera que aparecesse algum ratão.
- Eis que ele vê um par de olhos muito brilhantes, muito mais que os dele. Eles estão longe dele, mas sentiu as penas arrepiarem todinhas de susto, de medo, chegando quase ao pavor.
- E aqueles olhos iam se aproximando lentamente. Dom Corujão estava tão preocupado que nem viu um casal de ratazanas passearem bem embaixo do seu grande bico. Chegaram a parar para olhar aqueles olhos enormes e depois se foram, rebolando os rabinhos.
- Mas Dom Corujão não queria nem saber de ratos, estava era mais que preocupado com as próprias penas; quando aqueles olhos ficaram a uma certa distância, ele conseguiu ver de quem era. Pertenciam ao grande gato negro do Seo Zezinho, que ao ver aquele gordo corujão dando sopa, lá no mourão do mangueirão, foi logo se acercando para poder jantá-lo. E achando que a presa estava no papo, preparou seu bote.
- Mas Dom Corujão, achando que ele estava um tanto longe, arriscou uma olhadela naquele casal de ratazanas desfilando ali, na sua frente, e resolveu arriscar mesmo com o gato preto querendo papá-lo. Mas o gato já estava decidido, iria pular em cima do Dom Corujão e jantá-lo ali mesmo, e assim pensando, saltou!...
- Dom Corujão estava com os olhos presos nas ratazanas que nem viu o gato pulando, quando os ratos saíram detrás do cocho, pulou sobre eles. Pois foi o que salvou suas penas.
- O gatão preto ainda conseguiu arrancar algumas penas do rabo de Dom Corujão que, com o equilíbrio perdido, caiu bem em cima das ratazanas e só teve tempo de se levantar com uma delas nas unhas e bater asas para bem longe daquele mangueirão.
- Tirando o susto que levou o corujão, vocês viram que tudo tem seu lugar na natureza? Por isso o vovô não gosta que se mate nenhum animalzinho, pois eles têm seus papéis garantidos pela mãe natureza. Pronto!
- Gostaram?
- Muito vovô. Coitado do Dom Corujão será que um dia ele fala com a gente também?
*do livro "Um Velho Menino em A CASA DO FIM DA RUA ", de Luís Carlos Mordegane,
Ed. MEIRELES EDITORIAL, 2005.




