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A mulher da mesa

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  Eram duas cadeiras ladeando a mesa onde estavam postas duas xícaras de chá fumegando.
  Sentada, solitária, a mesma freguesa de todos os dias com o dedo indicador nos lábios não pedia silêncio. Porém parecia nada ouvir ao derredor. Com o olhar ausente, sua testa contraída deixava duas marcas fortes de expressão.

  Ela pensa nas pessoas e suas mascaras. Onde os olhares são traiçoeiros, fugidios, as vezes até sem expressão. Tudo fazem para esconder suas caras e nesses casos,  a falsidade, a inveja, são a cor de sua aura. Negra.
  Olhava àquelas xícaras como se ainda tivesse companhia para o chá. As cenas repetiam-se diante dela, de maneira igual, todos os dias. Cada palavra doía feito uma adaga no peito. E foram tecendo a rede de intrigas. Ela perdia o chão a cada fato narrado de forma contundente, amoral. Em total desespero ela colocou um ponto final. Já não tentava mais defender a virtude do ser amado diante de tudo que fora dito.
  Em silêncio arrastara a cadeira e fora saindo, lentamente, sem olhar para trás.

  Hoje, após tantos anos, solitária, senta a mesma mesa, na mesma cadeira e ainda relembra cada momento, cada palavra proferida para magoar e macular o ser amado. Sabe que tudo não passou de um ardiloso plano. E, que ela ao acreditar permitiu que desse certo. Foi assim, simples a descoberta, ao ler estampado no jornal convite de casamento.
  Ele seu eterno amor. Ela sua melhor amiga.

  Luís Carlos Mordegane
  ©2010

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