Os poetas, a poesia e a sociedade
Nos dias atuais quando o capitalismo, o consumismo e a prática de todos nós, indicam que se vale, ou o que se tem, ou os contatos que se tenha. Em que por mais que brademos tomados de indignação, fazemos todos nós um belo discurso...
Vivemos e carregamos a tatuagem de uma sociedade egocêntrica, hipócrita e indiferente à miséria humana. Sucumbimos, sem distinção, aos impérios da neurolinguística e do network, nos quais seus papas aconselham que só teçamos relações com pessoas bem sucedidas ou que nos elevem a tal patamar.
Num universo humano em que assistimos a escalada da violência e onde todo dia temos um referendo à impunidade, à falta de ética e a degradação dos velhos e bons valores. Onde a regra é vencer, ser bem sucedido ou parecer sê-lo. Num contexto social onde não há limites e dignidade parece coisa ultrapassada...
N’um poético lamento, leva o poeta com seus versos os seres humanos à refletirem nos valores que acicatam suas vidas.
Traz a poesia no seu bojo, a beleza e a pureza que existe incrustada em todo ser humano. Emergem através da sensibilidade do poeta todos os sentimentos. Assim, desencadeia ela, a conscientização, buscando atingir a maior quantidade de pessoas possível.
Acrescenta a poesia, de forma eficaz e melódica, a valorização da vida e do ser humano. Não importa se lida ou ouvida, desde que o seja. Tampouco importa se ecológica, política ou romântica. Importa sim, que o poeta traga a si o compromisso de só a usar quando para através dela, ser agente formador ou de transformação. Não pode perder o poeta o referencial de que o afinizar leva à reflexão, ao auto-conhecimento e a transformação. Mesmo que seu leitor faça uma releitura, que seus versos ganhem outra dimensão, ainda assim, não abuse, não minorize, não subestime seu poder. Seja o porta voz confiável!
Quiçá consigam os poetas com seus versos, tocar a ínfima parcela da essência humana onde residem os verdadeiros sentimentos de fé, resistência, persistência e esperança. E que seus versos propagados a todos os recantos do mundo, iluminem obscuros corações com lampejos de lisura, carinho, ternura e amor.
Pois assim, talvez atinjamos a compreensão de que é urgente um resgate de valores para que tenhamos um mundo mais justo onde exista a paz e coexistamos em paz.
Inicie a mudança, no texto e no contexto.
Luís Carlos Mordegane
© 2007




