Lá Fora
Fora, a brisa soprava fria
a manhã trazia o cheiro forte de café.
Pela janela um céu cinzento que se estendia
e cobria as casas ao longe.
Dentro, nos meus braços você se aconchegava
olhando a fina garoa que caia
escorrendo em linhas pelos vidros,
a cabeça em meu ombro pendida
os olhos brilhavam de paixão
e a boca entreaberta convidava ao beijo
tal a flor desperta ao sentir no colo
o beija flor a sugar-lhe o precioso néctar.
Com carinho envolvo seu corpo
e lentamente nos despedimos
da fria e cinzenta manhã,
partimos para o calor
que dois corpos produzem
quando unidos na mesma sintonia.
O desejo domina os olhos seduzem
bocas ávidas umedecem
barreiras desabam
lampejos de sanidade perdem-se pelas paredes
deixando os corpos suados
entregues a louca e voraz paixão.
Lá fora, a garoa suavemente marca
nos vidros, cá dentro embaçados,
sua presença jamais esquecida.
Luís Carlos Mordegane
©2009




