Com cintilante encanto
Com cintilante encanto
cai das folhas
o orvalho noturno.
Nos campos floridos
o verde se faz presente.
Ante nossos olhos
extasiados, descortina-se
a florada da plantação...
Canta o galo
empoleirado no galinheiro,
ciscam as galinhas
por todo terreiro.
Raios de sol
refletem nos telhados
das dezenas de brancas
casas da colônia.
Um forte cheiro de café,
torrado e fresquinho,
e, fumaça dos fogões a lenha
saem pelas chaminés...
Nos carroções da fazenda
deixam os colonos suas casas,
carregam as tralhas embornais.
Vai assim a peãozada pra lida.
A mãe terra nos brinda
com essa vista magistral
dos pendões dourados
no vasto trigal.
Ao longe segue o gado
em seu andar lento,
ruminando a relva
verde e macia.
Pela estrada
de poeira vermelha,
canta no compasso
do carreiro o velho
carro de boi...
As mulheres saem de casa
com balaios de roupas sujas
na cabeça, formando
uma curiosa procissão
em direção ao riacho,
onde de cócoras,
baterão as roupas
até ficarem limpas...
Perto, nos arvoredos,
garças olham curiosas
aquele cotidiano vai e vem
em mais um dia de lida na fazenda...
Luís Carlos Mordegane
©2007




