Na minha terra, o amanhecer
Serenô lá na baxada
enchendo de orvaio
a casa dos passarinho...
Canta tico-tico na gaiada,
e pula o tisiu nas erva do caminho.
Faiz festa a passarada
ao tratar os fiotes com o biquinho
e o gavião em revoada
procura o ninho dos bichinho.
Mas o papai canário,
aquele do peito amarelo,
solta um canto estalado
anunciando o gavião marvado,
que di oio tá nos fiotinho
lá do pico das árve.
O canarinho amarelo espia
pravisá a fêmea nu ninho
se o marvado do arto descia.
E as baruienta maritaca
passa nu alto em revoada
fazêno grande burburinho...
E o galo vendo do morão, impulerado,
no terrero a carijó com seus pintinho
solta o canto pra avisá da arvorada
lá perto da casa do moinho...
E lá vem nacendo o sor,
lá longe, onde o zóio num arcança,
colorino as água do riacho
que no terrero ali pertinho
corre serena e mansa,
mas tão limpinha
que o amarelo do sor
inté parece que dança
quano resvala e descansa
nos costado do pexinho...Assim é na minha terra
vê o dia amanhece,
vê as prantinha na serra
com orvaio revivê.
Vivo nessa terra bençoada como quê!
E nela, por sorte, um dia quarqué ei di morrê.Luís Carlos Mordegane
© 2005




